É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço
um título para o meu pensamento inteiro
e ainda só um pedaço
tenho aqui de baixo, bem perto
no peito, no sangue, nos nervos longe de serem de aço
uma frota completa
de mil naus construídas pela metade
Nos convés
rondam marinheiros sem função
e capitães sem juízo
as velas rasgadas e pó sobre os astrolábios
remam em florestas mudas os cabelos crespos reinam as idéias sujas
tenho até vergonha
desses alforriados dos meus instintos & desejos
Crivos e cravos cravados e cavaletes
feitos com a madeira podre encharcada
dos pensamentos naufragados
sustentam telas para abstrações
e silêncios
enxadas teimam em cultivar
a terra imaginária guardada em barris vindos da infância
o porto podia ser o meu olhar de criança
ou uma qualquer sede de vida,
se o espaço é mais
e vez em quando
a bússola quieta e aponta
o horizonte infinito me abriga.