05 Dezembro, 2011

26 Novembro, 2011

            O mar não esteve sempre aqui
            alguma terra se levantou
                                   a dar passagem
            também a luz
            acha o nosso tempo para se mover
            muito
lento

24 Novembro, 2011

            Eu
            pouco sei do tempo
            porque meu tempo
            aqui é pouco.
           
            A idade
            da terra, até me aparece
            mas ainda
            é fosca.

            Transparentes
            só, às lágrimas
            por saber
            que vivem mais
            as coisas mortas
            e as árvores.

15 Novembro, 2011

            a cidade de
            Piedade do Rio Grande
            é cortada por uma rua extensa
            que se mistura com a estrada
            como se ela toda se movesse
            e as nuvens é que estivessem paradas.
           
            Nesse país tão grande
            de rodovias e latifúndios
            que não se acha
            igual, e nos quais a gente
não se acha,
            a genealogia deixa
            os geógrafos doidos.

06 Novembro, 2011

poema mal-divido como eu/você

            só me alcançam a
            memória /uns vagos
traços seus – cabelo, íris,
cheiro – como se fosse uma
música /da qual eu só lembrasse
            os dois primeiros /versos e agora
            impossível adentrar mais /não
            consigo te procurar /em discos ou
            no cheiro dos livros do centro
            da cidade /pra dentro do meu quarto
            o pensamento /circula uma
            avenida só onde passou seu
            portaestandarte /há sempre a
nostalgia de um carnaval
/que nunca vivi só
nos livros

03 Novembro, 2011

            É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço
            um título para o meu pensamento inteiro
            e ainda só um pedaço
            tenho aqui de baixo, bem perto
            no peito, no sangue, nos nervos longe de serem de aço
            uma frota completa
            de mil naus construídas pela metade

            Nos convés
            rondam marinheiros sem função
            e capitães sem juízo
            as velas rasgadas e pó sobre os astrolábios
            remam em florestas mudas os cabelos crespos reinam as idéias sujas
            tenho até vergonha
            desses alforriados dos meus instintos & desejos
           
            Crivos e cravos cravados e cavaletes
            feitos com a madeira podre encharcada
            dos pensamentos naufragados
            sustentam telas para abstrações
            e silêncios
            enxadas teimam em cultivar
            a terra imaginária guardada em barris vindos da infância
            o porto podia ser o meu olhar de criança
            ou uma qualquer sede de vida,

            se o espaço é mais
            e vez em quando
            a bússola quieta e aponta
            o horizonte infinito me abriga.

31 Outubro, 2011

            sobrevivo por entre
            dois lugares
            pensamentos e olhares
           
funcionando ao mesmo tempo
neblinam.

            tanto aqui dentro quanto lá fora
            a atenção me escapa