17 setembro, 2009

Felicidade I

Talvez eu ainda seja novo para definir conceitos, e ainda mais um tão importante como o de felicidade, mas vamos dizer que é a primeira vez que eu vou sintetizar minhas experiências sobre essa sensação; a primeira dentre as muitas, ou poucas, ou simplesmente entre as vezes que eu farei isso.
Talvez não, talvez eu já tenha maturidade intelectual.
De qualquer maneira, é isso que vou tentar fazer. As primeiras linhas são apenas um convite para que você caminhe ao meu lado na linha de pensamento que eu vou traçar...
Ultimamente, tenho estado mais sozinho. Mais do que fisicamente, eu estou me sentindo afastar dos "amigos", dos conhecidos, sinto-me mais solitário. Olhando para os lados, psicologicamente, vejo cada vez mais que estou sozinho nas causas, sozinho nos sonhos, sozinho na motivação, sozinho de muitos jeitos. Para falar a verdade, considero que tenho dois ou três amigos, mãe, pai - eu. E de todos esses, o único que realmente me apoia em tudo o que eu faço, sou eu. Claro, é assim para todo mundo, mas parece mais fácil mascarar a solidão, ela parece algo ruim. E por isso eu acho que ressaltam tanto sobre todas as pessoas que te apoiarão "na longa estrada da vida" - babozeira.
Eu digo: não, solidão não é ruim.
E eu nem vou cheguar a contar do auto-conhecimento que esses momentos em que estou sozinho me possibilitam, não agora.
O fato é que, a solidão nos leva a conhecer a dor. Não sei qual problema as pessoas parecem ver em confessar: estou triste. E foi então que eu descobri, estava feliz. Sim, como minha primeira definição de felicidade, eu diria que é um sentimento maior do que a alegria, a tristeza, a solidão, o amor e os eticeteras. É como se a felicidade englobasse todos esses e ser feliz fosse apenas sentir qualquer uma dessas outras emoções com força, com vigor, senti-la realmente, na alma e no corpo. Mas, eu mesmo me alarmo, ter cuidado: de nenhuma das emoções pode se abusar.

14 setembro, 2009

Verdade I

Ultimamente, grandes amigos tem sido a caneta e o Word. Sempre do meu lado, sempre me ouvindo. Grandes companheiros na empreitada do auto-conhecimento, eles me proporcionam uma relação bem sincera. Mas também, não é por falta de razão que recorro tanto à escrita – e começo a desconfiar de que esse é o motivo comum de todos, ou da maioria dos outros escritores –, no ponto em que começam os meus obstáculos nos relacionamentos cotidianos, começam também as minhas facilidades de escrever. Contar para o papel o que eu realmente penso.
            Os obstáculos de que falo se resumem a uma coisa bem simples: a falta de sinceridade. Não é simplesmente falsidade, a falsidade é uma coisa voluntária. Mas a humanidade tomou um caminho tal que já crescemos impelidos a esconder a verdade. É comum vermos a criança deixar o tio em situação de constrangimento quando comenta o seu excesso de peso. A mãe corre e repreende o filho, segurando o seu braço com uma força um pouco acima do normal e deixando aquela sensação gravada no menino. Mais alguns momentos desse tipo e ele já vai saber: não pode falar tudo o que pensa.
            Será que não agüentamos a verdade? É pesado demais aceitar um problema, dizer o que sente, falar o que pensa? A definição de doido (eu já ouvi isso de alguns psicólogos, mas não sei se é o senso comum) é a de uma pessoa que não suporta as regras da sociedade e cria um mundo em que ela possa ser ela mesma. Não somos todos um pouco loucos? Não somos todos oprimidos pelas regras, a boa educação, o comportamento a que somos levados a seguir na sociedade? O problema está mesmo dentro de nós?
            Talvez algum dia a sociedade chegue a esse nível de esclarecimento, talvez não. Enquanto isso, eu ainda precisarei ter meu caderno sempre por perto.

13 setembro, 2009

Menina-Laranja


Quero uma menina-laranja.
Uma menina azeda, do azedo pontual, nada de doce.
A cor amarelada, viva, radiante e discreta. A superfície escorregadia e cheia de sulcos (como os da pele, que só podem ser vistos bem de perto), que pode ser quase comparada a algo liso.
Quero mordê-la, rasgá-la sem medo e com raiva, mastigar, triturar, amassar, morder! Engoli-la pedaço por pedaço e ver o suco jorrar para todos os lados. Quero lambuzar as mãos, a boca, o peito, todo o corpo, sem nenhum escrúpulo. Limpar a mão em mim mesmo; ou na menina-laranja, apertar seus seios com dedos melados-molhados da seiva dela mesma.
Morder e ver o suco espirrar em seu corpo.
Quero poder destruí-la, quero que ela deixe! Com dentes, unhas, língua. Os restos rasgados eu quero poder jogar de lado e esquecer enquanto me sentir saciado, até minha vontade e fome voltarem.
Mas o melhor...
Quero colhê-la no pé, acariciar a casca antes de começar tudo. Quero ter que subir no galho mais alto para buscar a melhor fruta com a melhor essência. Pura, vinda da terra. E de lá, do ponto mais alto, eu vou olhar o sol e só ele vai nos ver, eu e a menina-laranja. E vai ser nosso cúmplice.
Ah!, ela me sacia até o pôr-do-sol.