29 julho, 2010

            Vicio-me em mim. Fecho-me, guardo-me, preservo-me. Passo horas e horas sozinho. Me sufoco de solidão. Saio, caminho na rua e vejo o anoitecer tocando as paredes, arranhando-as com as suas unhas alaranjadas, últimos raios do Sol; escorregando até a linha do horizonte. Paredes. Paredes entre eu e as pessoas, trancadas em seus carros, atrás da fumaça de seus cigarros. As lanchonetes, os pontos de ônibus. Falta alguém, mas nada falta, todos faltam. Lágrimas, volto, me tranco num quarto. Ninguém, nem nas frestas dos tijolos, nem nos cantos dos cômodos, ninguém.

13 julho, 2010

             Leio qualquer coisa, mas já esqueço. Perdoe-me quem escreveu, mas meu olhar voa e volta pro que é meu. Um sorriso?... não, um choro. Penso nela e nela e nele, e coro. Imagino uma possibilidade de morte qualquer, de corte mulher. E esqueço, mas já esqueço? Me perco, estacado em feição de medo, na minha cama, imagino uma possibilidade de morte qualquer, em segredo. E cresço? Lanço raízes para todos os lados, domino o quarto, desejo um parto, claro!...
A noite cai, escurece, a solidão vem, (como se não existisse antes) me entristece. Não existia. E eu pensava nela e nela, ia e ia...
            crises convulsivas de choro
            acompanham qualquer constatação feliz que possa ter
            depois de toda tarde de sol
            a noite cai e, impiedosa, o apazigua o fogo de vida

            a(o )final, de cada orgasmo – abismo não se separa

07 julho, 2010

            as pessoas não são certas
            as pessoas não se erram
            as pessoas não são erradas
            as pessoas nunca erram nada
           
            sentado no divã
            Davi viu logo
            que dali não saía,
            da vida, viva, ria
            Davi correu pra longe
e seu amor hoje é seu onde
e não é mais o que não esconde,
tudo o que não é, é fonte.