29 agosto, 2010

palavras curvas culpas

se o universo todo me culpa,
eu não o faço
e tudo que é ((d)essa) palavra, rápido se quebra
porque desejo mesmo
só aquela velha febre,
de botar os olhos fundos, de graves olheiras
recostado à cabeceira,
sobre tão suas tão nuas,
curvas
carnes
acordar e já sofrer o desarme
perder todo o argumento
e toda a dor
(que seja um dia, um momento)
amor?

um Segundo

Tenho um segundo

Um mundo inteiro

Tenho um inteiro

Em mil pedaços

Tenho estilhaços
           
É seu coração

Tenho um palhaço

Tens razão

Que não se cansa

Diz, sim ou não?

Dança, dança, dança

Dentro de mim

Força, isso sim

Pra que ele nunca morra

Se mova, se mova, se mova...
           
Se mova... se mova...

21 agosto, 2010

Café I

            Seu café é muito doce
            eu não reclamo
            eu não sei o que faço, eu tremo
            meu sorriso e minha poesia perto
de você são de criança, eu temo
            nossa amizade é um tecnicolor

            nosso amor, sobra, esfarela, esmigalha, rasga, e ainda sobra
eu, menino
com sua boca seus olhos, rimo
sismo de fazer tudo como imagino
você, menina
sinto poder dizer: sina
            ...num jardim de infância

11 agosto, 2010

o despertador não desperta
a manhã não amanhece
mãos apenas, quero dizer, dedos...
é o quê se vê, puxando o cobertor
para até as orelhas
dedos magros, pele já marcada

quero dizer, olhos...
apenas: sem óculos,
olhando
uma xícara de café no criado-mudo,
branca com pires, cerâmica de mãos,
pessoas trabalhando nos cafezais

e a fumaça dançando a embriagá-lo
ora, um dia simplesmente se perde a hora
perde-se aquele compromisso todo
omisso de todo, interno de praxe
José ouve os chinelos arrastados, que horário seria?
...se já acordara Maria...

o quarto
amarelado de velho
cheio de vida,
aliás, era ela própria
que se desenrolava sem hora.