31 outubro, 2010

            No final, eu me vejo
            eu e a natureza sutil; calma de sabedoria que atravessou todos os tempos
            só ela existe sempre e
            se destruída, Será a destruição e se consumirá
            se nascer de novo, ela Será antes do nascimento, o nascimento será a
[natureza
            eu me vejo; parte dela,           a areia,
me cobrindo o corpo deitado
            a areia consumindo o meu cabelo, impregnada nele, deixando-o crespo e
[áspero
            e a minha pele seca e marcada pelo vento: durante anos me desgastando o
           [rosto, atacando e sulcando minha face
            o vento, vai me carregar (pra sempre) até os ouvidos de quem ainda se
[apega
            levando as notícias de que fui
            e de que sou
           
            que sou breve como um sopro, mas que faz parte de um redemoinho
            um redemoinho cinza e triste, mas calmo
            uma calma que talvez não valha a pena, mas vida
            uma vida tenra,

            a natureza em mim, eu a-guardo, intocada
            incansada, sem sentido, balançando enquanto vida como a onda,
            ainda em si, sofrendo a deriva da influência
            e balançando enquanto morte, enquanto natureza, como o vento
            o vento o próprio balanço
            o mar, descanso, incenso, defumador, vaporizador das minhas dores
            leva sempre pra ele                       água cada vez mais escuras
            dores, do todo que dele faz parte e
            ainda mais, do todo que ele é, se aventura, ternura
            no seu corpo;

aventurar-se em outro, enxerto,
incerto: fazer parte

30 outubro, 2010

Dia Um

            Crio, como criou um dia Deus
            deu que se criou o dia
                        e não sei como: mas essa descoberta ainda se adia
            ...Continuo
            Crio, realidades distorcidas
            acredito-as
            vê e mente veemente
            Trato, no meu trato com as pessoas
                        de fazer o tratado bem trapo
                        pra não ter que quebrar a cara depois
            Trato de fugir daqui
            e concordamos vamos todos.
           
            Penso. que raio de poemas curtos é esse?
                        como raios
            sou tão Deus que como-os
                        esses raios de sol granulados pedaços de chocolate
                                                                       dentro do meu café
            giram gira giram a colher
e os pedaços tão bonitos
            Mexer o café é mesmo um rito
            esquisito
                        nesse quesito, não deixo nada a desejar
           
            Só nesse, mexo a colher como ninguém, sei bem
            três pra direita, uma pra esquerda
            quantos hertz?quanto seu coração mandar

            eu ia dizendo...
essas realidades, acredito-as.

23 outubro, 2010

Eu não sei se meu flerte é bom.

Se eu simplesmente transpiro
do meu desejo por você,
mas é esse seu vestido bordado de flor
ou seu all-star roxo de cano médio
ou seu batom vermelho-me-morda
ou seu sorriso gentil
alheio à tudo isso
seu olhar febril; fixo
na paisagem:
toda vez que o ônibus passa do viaduto...

você dá sinal e desce,
quase sem reparar.
            eu, meus dias não-contados, minhas horas sofridas,
            bem-vividas, sentid
            as
            suas horas quilometradas, suas viagens planejadas,
            suas amigas e seus sorris
            os
            meus cigarros, queimando e queimando, meu coração,
            apertado, falta de tempo ou de vonta
            de
            mim, um beijo te ficou apertado, mas não muito
            longe, nós dois, vinho e
            só
            sempre só, sou eu, você sou eu
            pensando em algu
            em
            uma cama, nos misturamos
            somos, amamos
            amamos, somos
            orgas
            (ama)
mos,                          
mas você está longe.
                                    é só a minha cabeça, sou, só eu.

16 outubro, 2010

Eu quero ser um feto
num útero quente
ainda nem gente
esperando
pra varar uma boceta por inteiro
mesmo que não seja o primeiro
tocá-la toda
mesmo que dôa mais do que eu não possa imaginar
eu ainda não penso
sou um feto suspenso
em pura placenta
com cheiro de sexo e menstruação
ainda nem vida, ainda nem são
unhas,
as camadas de queratina nas pontas dos meus dedos
ainda nem são
medos, os movimentos bruscos no suco
                                                 vaginal
dedos, ainda colados, nadadeiras, eu nado
ainda que nada devas fazer

eu ser
mesmo nesse mundo sujo.

06 outubro, 2010

macio

            Me abracei e me vi
            feito de veludo macio
            mas não pode, era noite!
            e estava frio
            ou foi o vinho?
            Ou estou me mexendo como um rio
            molhado e em movimento
            ou é porque
            me sento,
            na cadeira de balanço
            ou é esse meu ranço
            de não sentir frio?
            a alegria é

            como um pio.

04 outubro, 2010

              O tempo passar arrastado
            curar uma dor funda do peito
            ficar na cama até mais tarde
            comer salada de frutas
           
            esquecer uma segunda-feira é viver um domingo.