29 abril, 2011

Coleção de Palavras

           Cappuccino
            Parapeito
            Horizonte
            Estrelado
            (paro...)

            Recordo
            Domingo
            Derradeiro
            Carnaval
            (...xítona)

18 abril, 2011

Caminhos

            sabe aquela poesia que você me deu?
            você esqueceu o título, e eu pus:
            Nome seu.
            Mas depois falhou, o título original
            era “caminho”; o seu?
            cada um seguiu.
            Cada um, menos eu.
            Estou parado, ainda pensando pra sempre
            como o chiado no rádio
            fraco, suspiro, por trás de um cachecol velho:
            não me arrumo mais pra nada.

17 abril, 2011

            eu nunca soube a data do seu aniversário,
            mas não faz diferença
            nunca quis ser mais do que alguém pra você,
            falar mais do que o silêncio,
            olhar mais do que nos seus olhos
            ou ser mais do que a verdade.
            nunca quis te mostrar nada
            (como gosto de clichês!, você também sabe)

            se é bom, e sempre é,
            é porque não somos nada mais nada menos
            que duas pessoas bem resolvidas
            e bem colocadas, lado a lado,
            nunca quis mais do que tardes de sábado
           
            inúteis, imóveis
            e tão belas
            quanto as palavras que não falamos,
           
            ainda, não é a noite que vai,
            vamos nos pondo do sol
            criando outros caminhos pra mesma amizade.

15 abril, 2011

outro lugar, ainda: aqui

Outro lugar, ainda: aqui
            o sol às três da tarde
            arde os livros lidos no silêncio
            das paredes brancas
            e mudinhas novas postas
            no parapeito da janela
            de onde o horizonte,
            então, sem prédios,
            menos de cem crianças
            e mais de cem proximidades
            o véu das nuvens, abre-se
            porque não cabia antes, na minha vontade
            mais tranqüilidade, até incômoda
            até que a cômoda com minhas roupas de frio
            (esperando o inverno, rigoroso)
            podia estar mais suja
            de fuligem; e não tem mais altura
            que ter vertigem, quase me engana
            mas, no meio de Minas, cidade plana, vale.
            Estrada verde, e se der sede
            bica, água simplesmente, nada distante
            e os praticantes
            da sagrada penitência
            pra uma ou pra outra pergunta,
a resposta, sussurra. O velho sentado no portão
paciência.

05 abril, 2011

A Tardinha – Um pouco de [...]ela e de Victor

            Parece que como esse bolo há três dias. Os últimos três dias, tem gosto de bolo, macios. É também o terceiro pedaço, como se eu fatiasse a minha consciência, exposta sobre a cama, em pedaços, como os postais que você me manda. Ou as fotos que tira, as cabanas cobertas de neve. Nós não éramos mais do que dois, em um bairro, você se lembra? E você sonhava em revelar você mesma aqueles filmes fotográficos, mas nunca conseguimos convencer sua avó a deixar-nos vedar o banheiro. E sempre tinha uma chuva melhor do que a outra, quando não ousávamos violar o cinza da tarde com nenhum movimento, e nos intervalos entre os álbuns, entre nossas pernas, os sons que nos sussurrava o vento, trocávamos algumas palavras e depois o silêncio, quando então tínhamos certeza de que os silêncios em nossos corações fluíam juntos. Compasso de chuva. Nossos corpos e nossos braços pesavam exatamente com as folhas escorrendo. as gotas, fazendo aqueles riozinhos nos cantos, todos, e deixando brincos translúcidos nos fios. Minhas orelhas cobertas pelo grande edredom rosa, sempre o único que você tinha para me emprestar... mande mais fotos.