18 junho, 2011

o que (ainda) tem de ser feito

            acordar com o rosto de uma garota linda
            a um palmo do seu
            tomar café e comer broa com a garota
            andar pelo bairro enquanto as crianças fantasiam
chamar a garota para ir na cachoeira 
de bicicleta, se ela não quiser
nina-la e deixa-la dormindo
ir sozinho com o vento nos cabelos
entrar na água gelada pouco a pouco
boiar e fitar o céu azul sol
fazer alongamentos com os pés nas pedras quentes
olhar o horizonte de pedras quentes
voltar e passar na bica, parar no mercadinho
comprar as duas mexericas mais bonitas do mercadinho
comer enquanto anda de bicicleta,
vento cabelos dentes, sorver o suco do dia
chegar em casa e acorda-la, ou se deitar do lado.
ganhar um dia, dois
a dois

16 junho, 2011

            Todo dia quando volto pra casa
            há uma borboleta amarela
            batendo asa
            batendo o sol no rosto
            batendo meu peito batendo
            saudade.
            E eu não consigo
            lhe dar nome
            ela é mais livre que eu
            meu olhar se perdeu
            e ela ainda
            amarela.

13 junho, 2011

Flerte

            – Aposto todas as minhas
            cinco fichas azuis-bordô
            e três verdes-veludo.
           
            – Vai perder tudo
            e o que nem tem
            – Não tenho nada, estou sempre blefando
           
            – E eu nunca sei jogar.
            Sempre esqueço as regras,
            aí é um desnosacuda.
            Apelo pra buda, mas jogo é pecado, estou enrolado
            russas frases filosóficas na roleta
            não entendo nada, o mundo, nada
                        o bilhar encharcado
                        bola oito, fogo olhar cruzado.

            A grana escorre.
            Perfume foi embora
            sombra de porta fechando.

06 junho, 2011

pássaro pequeno

            convivo anos com as pessoas
            e não sei dizer como são
            por não querer acreditar
            que elas sejam assim
            e para dar licença a todo mundo
                                   de ser o que quiser
            como eu queria ter também
            bicos, penas, asas e o chão
            de onde sair.

eu fechei os olhos, ou então olhei fundo demais. e quando acordei.