03 Novembro, 2011

            É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço
            um título para o meu pensamento inteiro
            e ainda só um pedaço
            tenho aqui de baixo, bem perto
            no peito, no sangue, nos nervos longe de serem de aço
            uma frota completa
            de mil naus construídas pela metade

            Nos convés
            rondam marinheiros sem função
            e capitães sem juízo
            as velas rasgadas e pó sobre os astrolábios
            remam em florestas mudas os cabelos crespos reinam as idéias sujas
            tenho até vergonha
            desses alforriados dos meus instintos & desejos
           
            Crivos e cravos cravados e cavaletes
            feitos com a madeira podre encharcada
            dos pensamentos naufragados
            sustentam telas para abstrações
            e silêncios
            enxadas teimam em cultivar
            a terra imaginária guardada em barris vindos da infância
            o porto podia ser o meu olhar de criança
            ou uma qualquer sede de vida,

            se o espaço é mais
            e vez em quando
            a bússola quieta e aponta
            o horizonte infinito me abriga.

2 comentários:

Ana Ribeiro disse...

Artur,
fiquei sem fôlego... e sem palavras. A cada dia fico mais encantada.
Belíssimo texto.
Beijo grande.
Anamélia

Lucielle Wiermann disse...

...contudo, no final pode-se avistar o "novo mundo"...


lindo!!!