31 agosto, 2012

Elipse



         Há duas opções quando do reencontro. Ou se diz: eu, ou se diz: ela, ainda com os olhos cheios d’água é possível: você.
As primeiras, as terceiras e as quintas pessoas não existem no plural. Estamos sós, ainda que todos os sorrisos sejam retribuídos pelos passantes.
Em terceiro lugar, por via de regra, como a centésima alternativa que mesmo assim não tomarei como minha escolha, deveríamos deixar dessas gracinhas.
Atravessamos a faixa de pedestres e, irremediavelmente, nada mudou
Porque cruzar e trançar e estar presos uns aos outros por uma longa corda circular onde estão cravados alfinetes gigantes com indicações azuis a designar: “av. do contorno”, isso não diz muita coisa
Talvez qualquer conjunto de quarteirões além desse perímetro diga um tanto mais, a variar e avariar, dependendo do sentido que tomamos.

          Olhares se cruzando são, na verdade, imperceptíveis. O que nos fazem saber que existiram são as flechas que simultaneamente disparam a certas regiões do hipotálamo, despertando na mente os motivos pelos quais os próprios motivos se esconderam e fugiram.
Você fingiu que não
         ou melhor, agora, por muito longe que estás, ela fingiu. e aquele outro, que era eu há instantes atrás, tratei de também atravessar em vão
           nada mudou.
          Dos nossos projetos tão concretos de vida é possível extrair sangue, o que com certeza também vale pare os que sorriem. Sem o risco de errar as veias
                talvez, quebrar dentro a agulha

08 agosto, 2012

perdizes


                Nada mais que o já prometido
                Vou ouvir o mesmo álbum riscado
                Disseram-me que não era pra aparecer lá
                hoje.

                 Os olhos daquela morada não querem
                me ver as orelhas naquelas paredes
                não estão nem aí pro que eu
                falar comigo é proibido.
               
                nenhuma boca me devorar

                tenho escritos na pele os poemas da infância
                também chamados
                cicatrizes

                ininteligíveis.

03 agosto, 2012


                Vadio migalhas olhares
                Respeito alheia vagares
                Devagar rareio pesares
                Despeço fraquejo saudades.

02 agosto, 2012


http://www.ufsj.edu.br/centrocultural/concurso_de_poesias.php